Moçambique está a avançar com o desenvolvimento de um terminal de importação de Gás Natural Liquefeito (GNL), no Porto da Matola, como alternativa à redução prevista da produção de gás natural nos campos de Pande e Temane, na província de Inhambane. O projecto pretende assegurar a continuidade do abastecimento energético nacional, com a previsão de alcançar o fecho financeiro até ao final de 2027.
Neste contexto, a Beluluane Gas Company (BGC) anunciou a nomeação do consórcio VGI/PRDW para desempenhar as funções de Engenheiro do Proprietário (Owner’s Engineer) do futuro terminal. Esta contratação representa uma etapa importante para consolidar os projectos de engenharia e apoiar o processo de selecção da empresa responsável pela execução das obras, através de um contrato EPC (Engenharia, Aquisição e Construção).
Segundo a empresa, o consórcio terá a responsabilidade de consolidar os projectos de engenharia e prestar apoio técnico na conclusão do processo de contratação do empreiteiro principal. O financiamento inicial do projecto deverá ser assegurado pela Matola Gas Company (MGC) e pela Gigajoule International (GI).
A entrada em funcionamento do terminal antes do esgotamento das reservas de Pande e Temane é considerada fundamental para garantir o abastecimento das centrais eléctricas a gás de Chókwè, Ressano Garcia e Maputo, que fornecem aproximadamente 450 MW à Electricidade de Moçambique (EDM). A infra-estrutura deverá igualmente apoiar o fornecimento de gás à indústria transformadora das regiões de Matola e Maputo.
A necessidade desta alternativa está relacionada com a maturidade dos campos de Pande e Temane, explorados pela sul-africana Sasol ao abrigo do Acordo de Produção Petrolífera (PPA), assinado em 2000.
De acordo com dados apresentados pela Sasol, as reservas iniciais destes campos foram estimadas em 4,5 biliões de pés cúbicos, dos quais aproximadamente 3,1 biliões já tinham sido produzidos até ao final de 2025. A empresa prevê que a extracção ao abrigo do PPA termine em 2030, embora investimentos adicionais possam prolongar as operações até 2031.
Em paralelo, a Sasol iniciou, em 2025, a produção ao abrigo do Contrato de Partilha de Produção (PSA), associado ao campo de Inhassoro, também na província de Inhambane. Este contrato apresenta recursos estimados em 2,5 biliões de pés cúbicos, dos quais cerca de 1,2 biliões são considerados recuperáveis sob a forma de gás natural, petróleo leve e Gás de Petróleo Liquefeito (GPL).
No que diz respeito ao futuro terminal da Matola, a BGC informou que as negociações comerciais relativas ao fornecimento de GNL, ao financiamento da construção e à venda de gás à África do Sul se encontram em fase final, estando previstos novos anúncios.
A concretização do projecto poderá contribuir para diversificar as fontes de abastecimento de gás natural, reforçar a segurança energética e assegurar maior continuidade no fornecimento às centrais eléctricas e às unidades industriais, num contexto de redução gradual da produção dos campos tradicionais de gás de Moçambique.
Fontes de Informação: Lusa via correiodamanhacanada
Imagem: Africa Energy Pulse