Conservação atrai investimento e cria nova fronteira económica em Zinave

O Parque Nacional de Zinave está a afirmar-se como um dos principais exemplos de recuperação ambiental e valorização económica da conservação na África Austral, após mais de uma década de investimentos destinados à restauração da biodiversidade, desenvolvimento de infra-estruturas e promoção do turismo sustentável.

Desde 2015, a Peace Parks Foundation investiu cerca de 34 milhões de dólares norte-americanos na recuperação do parque, permitindo transformar uma área anteriormente marcada pela degradação ambiental num activo estratégico para o turismo, a conservação e o desenvolvimento comunitário.

Recuperação da fauna transforma Zinave numa referência regional

Ao abrigo do acordo de cogestão estabelecido entre o Governo de Moçambique e a Peace Parks Foundation, foram reintroduzidos 2.431 animais de 16 espécies diferentes, incluindo elefantes, búfalos, leopardos, hienas e outras espécies emblemáticas da fauna africana.

Actualmente, a população animal do parque aproxima-se dos 10 mil indivíduos, consolidando Zinave como uma das principais áreas de conservação do país.

Segundo a Peace Parks Foundation, os resultados alcançados demonstram a importância de investimentos de longo prazo na recuperação dos ecossistemas e na gestão sustentável das áreas protegidas.

Regresso dos rinocerontes reforça potencial turístico

A recente introdução de nove fêmeas de rinoceronte-branco elevou para 39 o número desta espécie existente em Zinave, aos quais se juntam 22 rinocerontes-pretos.

Com o crescimento destas populações, o parque volta a albergar populações viáveis de rinocerontes mais de quatro décadas após a sua extinção local em território moçambicano.

O reforço das populações de rinocerontes aumenta igualmente a atractividade turística do parque, uma vez que a observação de grandes mamíferos continua a ser um dos principais factores de procura no turismo de natureza e safaris.

Primeiro parque nacional moçambicano com os Big Five

Com a consolidação das populações de rinocerontes, Zinave tornou-se o único parque nacional de Moçambique onde é possível observar os chamados Big Five: leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte.

Este estatuto representa uma importante vantagem competitiva para o turismo nacional, reforçando a capacidade do país para atrair visitantes internacionais e posicionar-se entre os destinos africanos de referência para o turismo de vida selvagem.

Conservação gera benefícios para as comunidades locais

Para além da recuperação da biodiversidade, o modelo de gestão adoptado tem procurado fortalecer a ligação entre conservação e desenvolvimento económico local.

Segundo dados divulgados, cerca de três mil pessoas beneficiaram directamente, apenas em 2025, de iniciativas relacionadas com agricultura, pecuária e apicultura apoiadas no âmbito do projecto.

A legislação moçambicana prevê ainda que 20% das receitas geradas pelos parques nacionais sejam canalizadas para as comunidades circunvizinhas, criando incentivos económicos para a preservação dos recursos naturais.

Zinave reforça papel da economia verde em Moçambique

Integrado na Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, que liga Moçambique, África do Sul e Zimbabwe, o Parque Nacional de Zinave desempenha um papel importante na conectividade ecológica regional e na promoção da economia verde.

A experiência demonstra que a conservação pode ir além da protecção ambiental, assumindo-se como uma plataforma de atracção de investimento, geração de emprego, desenvolvimento do turismo e promoção do crescimento sustentável.

O caso de Zinave evidencia o potencial do capital natural como instrumento de diversificação económica, contribuindo para fortalecer a posição de Moçambique nos mercados internacionais de turismo de natureza e conservação da biodiversidade.

Fonte: Oeconomico.

Partilhar:

Notícias Relacionadas

Buscar no Site