O Produto Interno Bruto (PIB) nominal de Moçambique deverá ultrapassar, pela primeira vez, a fasquia dos 2 biliões de meticais em 2029, atingindo cerca de 2,1 biliões de meticais, segundo as projecções do Ministério da Economia e Finanças incluídas no Relatório de Riscos Fiscais 2027.
As projecções apontam para uma evolução do PIB nominal de 1,8 biliões de meticais em 2027 para 1,9 biliões em 2028, antes de alcançar os 2,1 biliões em 2029. Em termos de crescimento económico real, o Governo estima uma expansão de 0,6% em 2026, seguida de 1,54% em 2027, 3,7% em 2028 e 9,5% em 2029.
A aceleração prevista para 2029 está directamente associada à entrada em operação de novos projectos de gás natural em Cabo Delgado. Sem a contribuição destes projectos, o crescimento económico estimado para esse ano seria de 3,7%, contra os 9,5% previstos no cenário de referência do Governo.
As projecções indicam também uma redução gradual da inflação média anual, de 8,7% em 2026 para 7% em 2027, 6,5% em 2028 e 5,5% em 2029. As receitas fiscais deverão aumentar de 333,9 mil milhões de meticais em 2026 para 397 mil milhões de meticais em 2029.
No mesmo período, as contas públicas deverão registar uma melhoria gradual. O défice previsto de 15,8 mil milhões de meticais em 2026 deverá dar lugar a saldos positivos de 18,9 mil milhões em 2027, 54,5 mil milhões em 2028 e 75,2 mil milhões em 2029. A dívida pública, por sua vez, deverá cair de 72,1% do PIB em 2026 para 67,1% em 2029, embora permaneça acima do limite de referência regional de 60%.
O relatório alerta, contudo, que a concretização destas projecções dependerá da conclusão dos investimentos em gás natural, da evolução da situação de segurança em Cabo Delgado e das condições da economia internacional.
Actualmente, o Instituto Nacional de Petróleo (INP) estima que Moçambique disponha de cerca de 180 biliões de pés cúbicos de gás natural, concentrados principalmente nas Áreas 1 e 4 da Bacia do Rovuma. Entre os principais projectos associados a estes recursos estão o Coral Norte, o Mozambique LNG e o Rovuma LNG.
Fonte: CofM