Conteúdo Local Assume Lugar Central no Debate sobre Industrialização de Moçambique na CASP 2026

Maputo, Moçambique – 15 de Julho de 2026 – Moçambique entra numa nova fase da sua jornada rumo ao fortalecimento do Conteúdo Local. Com a aprovação da nova Lei de Conteúdo Local, o foco passa agora da definição de políticas para a sua implementação: como garantir que os grandes investimentos se traduzam em mais oportunidades para empresas nacionais, negócios mais fortes e benefícios económicos duradouros para os moçambicanos?

Esta questão esteve no centro do debate durante a CASP 2026, no painel moderado por Luís Magaço Jr, CEO da Austral Consultoria, intitulado “Industrialização e Conteúdo Local: Transformar Recursos Naturais em Produção, Rendimento e Emprego”.

Katya Coelho, Gestora do Bureau de Conteúdo Local (BCL) da CTA, juntou-se a líderes de diferentes sectores, incluindo Marica Calabrese, Directora Geral da ENI Rovuma Basin; Paulo Chibanga, Presidente da AIMO; Juma Cangy, Vice-Presidente do Pelouro de Infraestruturas; e Carlos Yum, Director Geral do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, para discutir como Moçambique pode transformar a sua riqueza em recursos naturais em oportunidades económicas sustentáveis e com impacto nacional.

Durante a discussão, Katya Coelho destacou a visão do Bureau de Conteúdo Local (BCL) sobre o verdadeiro significado do Conteúdo Local:

“Para o Bureau, o verdadeiro significado do conteúdo local está em transformar investimento em oportunidades para os moçambicanos e criar valor duradouro para Moçambique. Quando um investimento cria emprego para moçambicanos, gera oportunidades para as empresas nacionais, desenvolve competências e promove a transferência de tecnologia, está a criar verdadeiro conteúdo local.”

Lançado durante a CASP 2025, o Bureau de Conteúdo Local (BCL) dedicou o seu primeiro ano à construção das bases para uma implementação eficaz do Conteúdo Local. Ao longo deste período, coordenou diálogos nacionais e provinciais envolvendo o Governo, investidores âncora, associações empresariais, comunidades locais e o sector privado; reforçou o conhecimento técnico através de workshops especializados sobre a legislação de Conteúdo Local; deu contributos para a elaboração da Lei de Conteúdo Local e da Política Nacional de Emprego; lançou o Observatório de Doing Business (DBO); e foi designado ponto focal da CTA para o Programa MozJobs, apoiado pelo Banco Mundial.

O Bureau também expandiu a sua presença digital através do seu website, página de LinkedIn e Canal de WhatsApp, criando plataformas acessíveis para o envolvimento de partes interessadas, partilha de informação e intercâmbio de conhecimento.

Embora a aprovação da Lei de Conteúdo Local tenha sido reconhecida como um marco importante, a discussão destacou que a legislação é apenas o ponto de partida. A criação de um conteúdo local com impacto real exigirá um ecossistema coordenado, onde o Governo, investidores, instituições financeiras, associações empresariais e parceiros de desenvolvimento trabalhem em conjunto com o objectivo comum de fortalecer as PME e acelerar a industrialização.

Uma mensagem marcou o debate: o Conteúdo Local começa pelas pessoas. Trata-se de preparar os moçambicanos para participarem nas novas indústrias, capacitar empresas nacionais para competir por contratos e desenvolver as competências necessárias para apoiar as ambições de industrialização do país. Iniciativas como o recém-lançado centro de formação em metalomecânica e o programa de soldadura da AIMO foram apresentados como passos importantes para reforçar a capacidade local.

Após o painel, Katya Coelho reforçou a importância de manter este ritmo:

“A Lei de Conteúdo Local oferece a Moçambique uma oportunidade real. Agora, precisamos de transformar esta oportunidade em resultados, mais contratos para empresas moçambicanas, mais empregos e mais valor a permanecer no país. Isso só será possível através da colaboração e de um compromisso conjunto na implementação.”

À medida que Moçambique entra nesta nova fase, o Bureau de Conteúdo Local reafirmou o seu compromisso de trabalhar em conjunto com o Governo, a indústria e os parceiros de desenvolvimento para transformar políticas em impacto mensurável, criando empresas mais fortes, indústrias mais competitivas e maiores oportunidades para os moçambicanos.

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