Gás moçambicano ganha peso na estratégia europeia de diversificação energética

A União Europeia considera o gás natural liquefeito (GNL) de Moçambique um activo estratégico para reforçar a segurança energética do bloco e diversificar as suas fontes de abastecimento. A posição foi reafirmada por Patricia Llombart, directora-geral para África do Serviço Europeu de Acção Externa, durante uma visita de trabalho a Maputo, numa altura em que os principais projectos de gás em Cabo Delgado registam avanços significativos.

Segundo a responsável europeia, Bruxelas acompanha com grande interesse a evolução dos projectos liderados pela Eni e pela TotalEnergies, reconhecendo o potencial de Moçambique para se afirmar como um dos principais exportadores africanos de GNL nos próximos anos.

A crescente importância do gás moçambicano surge num contexto em que a Europa procura reduzir vulnerabilidades energéticas através da diversificação geográfica dos fornecedores e do reforço da segurança das cadeias de abastecimento.

Projectos de GNL reforçam posicionamento internacional

O projecto Coral Sul FLNG, operado pela Eni na Área 4 da Bacia do Rovuma, continua a consolidar-se como um dos principais activos energéticos do país. Em operação desde 2022, a unidade possui capacidade de produção de cerca de 3,4 milhões de toneladas de GNL por ano e já ultrapassou a marca de 100 carregamentos exportados.

O próximo grande passo será dado com o projecto Coral Norte FLNG, cuja decisão final de investimento foi aprovada em 2025. A nova unidade deverá acrescentar cerca de 3,6 milhões de toneladas anuais de capacidade de liquefação e iniciar operações em 2028.

Entretanto, o projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies na Área 1, retomou oficialmente as actividades após o levantamento da força maior. A primeira produção está prevista para 2029, reforçando ainda mais a capacidade exportadora do país.

Com a entrada em funcionamento destes empreendimentos, Moçambique poderá posicionar-se entre os principais produtores africanos de gás natural liquefeito, aumentando a sua relevância nos mercados energéticos internacionais.

Segurança em Cabo Delgado continua determinante

Apesar das perspectivas positivas, a estabilidade em Cabo Delgado continua a ser um factor decisivo para o sucesso dos investimentos energéticos.

A União Europeia reconhece que a sustentabilidade dos projectos depende não apenas da segurança física das infra-estruturas, mas também da consolidação da estabilidade económica e social da região. Neste âmbito, Bruxelas mantém o seu apoio através da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM), focada na capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

Especialistas defendem igualmente que a segurança duradoura exige a combinação de medidas de protecção com investimentos em emprego, educação, serviços públicos e inclusão económica das comunidades locais.

Transformar recursos em desenvolvimento nacional

O crescente interesse europeu pelo gás moçambicano representa uma oportunidade estratégica para o país, mas também reforça a necessidade de garantir que os benefícios da exploração dos recursos naturais sejam convertidos em desenvolvimento sustentável.

Entre os principais desafios destacam-se a promoção do conteúdo local, a qualificação da mão-de-obra nacional, a integração das empresas moçambicanas nas cadeias de fornecimento e o investimento em infra-estruturas e industrialização.

Além do interesse no GNL, a União Europeia continua a apoiar iniciativas ligadas às energias renováveis, expansão da rede eléctrica, desenvolvimento de competências e recuperação económica do Norte de Moçambique.

A consolidação de Moçambique como actor relevante no mercado global de energia dependerá da capacidade de equilibrar crescimento das exportações, estabilidade territorial e criação de benefícios económicos duradouros para a população.

Fonte: O Económico.

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