O Governo de Moçambique aprovou o Plano Director de Investimentos do Fundo Soberano de Moçambique (FSM), estabelecendo uma estratégia conservadora para a gestão dos recursos provenientes das receitas do gás natural, com 70% dos investimentos direccionados para índices norte-americanos e 30% para índices europeus.
De acordo com o plano, a carteira inicial será baseada em dois índices internacionais de referência compostos por obrigações soberanas dos Estados Unidos e da Zona Euro. A maior parcela, equivalente a 70%, será aplicada no ICE BofA 0–5 Year US Treasury Index, enquanto os restantes 30% serão direccionados para o ICE BofA 0–3 Year Euro Government Index.
A gestão operacional dos recursos ficará a cargo do Banco de Moçambique, através de uma estratégia que procura replicar o desempenho dos índices de referência, permitindo apenas desvios limitados para optimizar os retornos ajustados ao risco.
A estratégia estabelece como prioridades a preservação do capital, a garantia de liquidez e a maximização dos retornos dentro dos limites de risco definidos. Pelo menos 75% da carteira deverá permanecer investida em obrigações governamentais incluídas nos índices de referência, enquanto a exposição a outros instrumentos financeiros não poderá ultrapassar 25%.
O plano estabelece ainda restrições importantes. O Fundo não poderá investir em activos emitidos por empresas moçambicanas ou ligados directamente à economia nacional, nem em activos com exposição ao sector de petróleo e gás. Também ficam proibidas operações de venda a descoberto.
A opção por limitar investimentos relacionados com a economia moçambicana está directamente ligada à origem dos recursos do Fundo, que é financiado essencialmente pelas receitas provenientes da exploração de gás natural. A estratégia procura, desta forma, evitar uma excessiva concentração dos activos e reduzir riscos associados ao próprio sector que financia o Fundo.
Criado para contribuir para o desenvolvimento económico e social do país, acumular poupanças para as futuras gerações e apoiar a estabilização do Orçamento do Estado, o FSM deverá receber 40% das receitas anuais provenientes da produção de gás natural.
O Fundo iniciou as suas operações com uma transferência de 109,97 milhões de dólares em Dezembro de 2025, seguida de uma injecção adicional de 6,159 milhões de dólares em Janeiro deste ano. Até 2 de Julho, o seu capital tinha alcançado 118,021 milhões de dólares, enquanto o valor de mercado atingiu 118,3 milhões de dólares.
Com a aprovação do novo plano, Moçambique estabelece as bases para transformar as receitas dos seus recursos naturais numa carteira financeira de longo prazo, procurando preservar o capital e gerar rendimentos que possam beneficiar a economia nacional e as futuras gerações.
Fonte: Lusa