Moçambique passou a contar com uma nova ferramenta para saber, com maior precisão, onde existem redes de telecomunicações, quais tecnologias estão disponíveis e onde persistem zonas com cobertura insuficiente. O Portal Nacional de Banda Larga e Planeamento de Cobertura, lançado pela Autoridade Reguladora das Comunicações – INCM, pretende transformar estes dados em informação estratégica para orientar investimentos e apoiar políticas públicas de expansão da conectividade.
A nova plataforma geoespacial permite visualizar a cobertura das redes 2G, 3G, 4G e 5G por operador, cruzar os dados de telecomunicações com informação territorial e demográfica e identificar áreas cobertas e não cobertas. A ferramenta também permite reportar falhas de cobertura, criando uma visão mais detalhada das zonas que ainda enfrentam limitações no acesso às redes.
Desenvolvido em colaboração com a Esri e a Cellular Expert, o portal utiliza sistemas de informação geográfica para integrar informação espacial e estatística. A disponibilização destes dados poderá facilitar a identificação de áreas onde novos investimentos em infra-estruturas de telecomunicações podem produzir maior impacto económico e social.
A iniciativa surge num momento em que Moçambique procura ampliar a cobertura de banda larga, expandir o acesso às redes 4G e preparar uma presença mais abrangente da tecnologia 5G. O mapa poderá, neste contexto, servir como instrumento de apoio à tomada de decisões por parte do regulador, operadores, investidores e entidades públicas.
A importância da ferramenta ganha ainda maior dimensão perante os desafios de inclusão digital no país. O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) tem destacado iniciativas destinadas a ampliar o acesso à Internet de banda larga, incluindo o projecto “Internet para Todos”, lançado em 2025, que procura levar conectividade a escolas e espaços públicos e promover a inclusão digital.
Com o novo portal, será possível cruzar a existência de cobertura com características populacionais e territoriais, permitindo identificar não apenas onde a rede está disponível, mas também onde a expansão poderá responder a necessidades concretas de comunidades e actividades económicas.
Para os operadores e investidores, esta informação poderá reduzir incertezas na identificação de zonas prioritárias para expansão das redes. Para o Estado, poderá apoiar uma distribuição mais eficiente dos recursos e ajudar a orientar políticas destinadas a reduzir as diferenças de conectividade entre regiões.
A plataforma também permite comparar operadores e tecnologias disponíveis, criando uma visão mais transparente do nível de cobertura existente. Esta capacidade poderá contribuir para identificar sobreposições de cobertura em determinadas áreas e, simultaneamente, zonas onde continuam a existir lacunas.
O desafio, contudo, não termina com a chegada da rede. A inclusão digital depende também de factores como o preço dos serviços, disponibilidade de dispositivos, qualidade da ligação, literacia digital e capacidade efectiva das pessoas e empresas para utilizar a Internet. A experiência internacional e os próprios debates nacionais sobre conectividade mostram que a existência de infra-estrutura é apenas uma das condições necessárias para garantir acesso digital efectivo.
Neste sentido, o mapa nacional da banda larga poderá representar uma mudança importante na forma como Moçambique planeia a expansão da conectividade: em vez de decisões baseadas apenas em estimativas gerais, o país passa a dispor de uma ferramenta que permite observar geograficamente a realidade das redes e cruzá-la com as necessidades dos territórios.
À medida que a economia moçambicana avança na digitalização dos serviços públicos, empresas e actividades económicas, a expansão de uma conectividade mais ampla e equilibrada torna-se cada vez mais relevante. A capacidade de direccionar investimentos para as zonas certas poderá determinar a velocidade com que os benefícios da transformação digital chegam às comunidades ainda insuficientemente servidas.
O novo portal poderá, assim, tornar-se uma peça importante na estratégia de redução das assimetrias digitais em Moçambique, aproximando reguladores, operadores, investidores e entidades públicas de uma mesma base de informação e criando melhores condições para planear onde, quando e como expandir a banda larga no país.
Fonte: O.Económico