Moçambique desembolsou mais de 140 milhões de dólares na importação de arroz e trigo durante o primeiro trimestre de 2026, evidenciando a forte dependência do país em relação ao abastecimento externo de dois dos principais produtos da cesta básica.
Dados do Banco de Moçambique indicam que estes cereais continuam a representar uma parcela significativa da factura nacional de importações alimentares, colocando pressão sobre as reservas cambiais e reforçando a necessidade de aumentar a produção agrícola interna.
O elevado volume de importações reflecte os desafios que o país enfrenta para responder à crescente procura interna, sobretudo no caso do trigo, cuja produção nacional é reduzida, e do arroz, cuja oferta ainda não consegue satisfazer o consumo nacional.
O cenário reforça a estratégia do Governo de impulsionar a produção agrícola, expandir as áreas irrigadas e incentivar o investimento privado no sector, com o objectivo de reduzir a dependência das importações e fortalecer a segurança alimentar.
Nos últimos meses, o Executivo anunciou várias iniciativas para aumentar a produção nacional, incluindo o desenvolvimento de novos pólos agrícolas, programas de mecanização, facilitação do acesso ao financiamento e promoção de culturas consideradas estratégicas para a substituição das importações.
Especialistas defendem que o aumento da produtividade agrícola poderá contribuir para reduzir a factura de importação, melhorar a balança comercial e criar novas oportunidades de emprego ao longo das cadeias de valor do agronegócio.
A redução da dependência externa de alimentos é considerada uma das prioridades da política económica nacional, procurando fortalecer a produção local, aumentar a competitividade do sector agrícola e tornar Moçambique mais resiliente às flutuações dos mercados internacionais.
Fonte: DiarioEconomico.