Moçambique deu mais um passo na sua agenda de resiliência ambiental ao mobilizar cerca de 38 milhões de dólares para financiar projectos de adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas, no âmbito da Estratégia Nacional de Financiamento Climático.
O anúncio foi feito em Maputo durante as celebrações do Dia Mundial do Ambiente, numa altura em que o país continua entre os mais vulneráveis do mundo aos efeitos de fenómenos climáticos extremos, como ciclones, cheias e secas prolongadas.
Segundo Adérito Wetela, cerca de 40% da população moçambicana é afectada directa ou indirectamente pelos impactos das alterações climáticas, tornando urgente o reforço da capacidade nacional de prevenção e resposta.
Os recursos mobilizados serão aplicados em investimentos estruturantes destinados a reduzir a vulnerabilidade das comunidades e das infra-estruturas, incluindo sistemas de drenagem urbana, obras de protecção contra erosão, gestão de resíduos sólidos e outras intervenções ligadas à adaptação climática.
A Estratégia Nacional de Financiamento Climático foi concebida para um horizonte de dez anos e prevê uma implementação faseada, à medida que forem assegurados novos financiamentos e parcerias de cooperação internacional.
Além dos investimentos físicos, as autoridades destacam a necessidade de promover uma mudança de comportamento nas comunidades. O representante do distrito municipal de Kamaxaquene, Acácio João, defendeu que a educação ambiental deve assumir um papel central na construção de uma cultura de sustentabilidade.
Actualmente, estão em curso programas de sensibilização ambiental em escolas do distrito, desenvolvidos em parceria com o Conselho Municipal de Maputo e diversas organizações parceiras, com o objectivo de formar cidadãos mais conscientes sobre a preservação ambiental e a gestão adequada de resíduos.
O sector privado também está a reforçar o seu envolvimento nas iniciativas ambientais. Durante as celebrações, a ExxonMobil anunciou a doação de 30 ecopontos destinados à recolha selectiva de resíduos ao longo da marginal da cidade de Maputo.
A representante da empresa em Moçambique, Brunévia Mascarenhas, destacou que a iniciativa pretende contribuir para a melhoria da gestão de resíduos sólidos e para a promoção de práticas ambientais mais sustentáveis.
Com a mobilização destes recursos, Moçambique reforça a sua estratégia de adaptação climática num momento em que os efeitos das alterações climáticas representam um dos maiores desafios ao desenvolvimento económico e social do país. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de transformar o financiamento disponível em projectos concretos que aumentem a resiliência das comunidades e protejam os sectores mais vulneráveis da economia nacional.
Fonte: Mznews.