Moçambique pode criar programa nacional de literacia digital para preparar jovens para a cidadania do futuro

Moçambique poderá avançar para a criação de um programa nacional de literacia digital dirigido aos jovens, com o objectivo de desenvolver competências para o uso responsável da tecnologia e reforçar a participação da juventude na vida cívica e democrática do país.

A proposta foi apresentada em Maputo por Iva Sitoe, representante da organização não-governamental Jendayi Mozambique, durante o lançamento da série de diálogos sobre juventude e democracia, que debateu a transição da participação política tradicional para novas formas de envolvimento através das plataformas digitais.

Segundo Sitoe, a crescente utilização das plataformas digitais está a transformar a forma como os jovens acedem à informação, expressam opiniões e participam nos processos de decisão. No entanto, a falta de conhecimentos sobre ferramentas digitais pode limitar a capacidade dos jovens de utilizarem a tecnologia de forma crítica, segura e construtiva.

A proposta inclui também o reforço da educação para a democracia nas escolas e universidades, criando condições para que os jovens desenvolvam não apenas competências tecnológicas, mas também uma maior consciência sobre cidadania, participação pública e responsabilidade no ambiente digital.

O debate, organizado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), em parceria com a UNESCO, procurou discutir formas de tornar a participação juvenil mais efectiva, inclusiva, crítica e responsável, num contexto em que as tecnologias digitais assumem um papel cada vez mais importante na sociedade moçambicana.

Durante o encontro, representantes da juventude e da sociedade civil defenderam igualmente o fortalecimento da educação cívica e a criação de mecanismos que permitam aos jovens participar de forma mais activa na definição das políticas públicas e no desenvolvimento das suas comunidades.

A aposta na literacia digital poderá, assim, ultrapassar o simples domínio de ferramentas tecnológicas. Poderá tornar-se num instrumento para preparar uma nova geração de cidadãos capazes de navegar pelo mundo digital, avaliar informação, participar no debate público e contribuir para a construção de uma sociedade mais informada e participativa.

Fonte: Club of Mozambique

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