O Governo de Moçambique iniciou os preparativos para negociar um novo programa de Facilidade de Crédito Alargado com o Fundo Monetário Internacional, na sequência das recomendações apresentadas por uma missão técnica da instituição que esteve recentemente em Maputo.
A equipa do FMI, liderada por Pablo Lopez Murphy, defendeu a implementação de reformas estruturais destinadas a reforçar a sustentabilidade das finanças públicas, melhorar a gestão da dívida e fortalecer a estabilidade macroeconómica.
Segundo as projecções apresentadas, a economia moçambicana deverá registar um crescimento modesto de 0,5% em 2026, após um período marcado por fortes desafios económicos, pressão sobre as reservas em moeda estrangeira e aumento dos custos de vida.
No âmbito das negociações, o Executivo comprometeu-se a prosseguir com o Plano de Consolidação Fiscal de Médio Prazo, que prevê medidas para aumentar a arrecadação de receitas internas, controlar o défice orçamental e assegurar uma gestão mais sustentável da dívida pública.
Entre as prioridades identificadas está também a adopção de mecanismos destinados a melhorar a disponibilidade de divisas no mercado nacional, um factor considerado fundamental para aliviar as dificuldades enfrentadas por empresas que dependem de importações e pagamentos internacionais.
O reforço da transparência na gestão das finanças públicas e o combate à corrupção constituem igualmente áreas centrais das recomendações do FMI. Paralelamente, o Governo pretende expandir programas de protecção social para apoiar as famílias mais vulneráveis face ao aumento do custo de vida.
O FMI alertou ainda para a vulnerabilidade da economia moçambicana a factores externos, incluindo a subida dos preços internacionais dos combustíveis e fertilizantes, bem como os impactos recorrentes de eventos climáticos extremos.
Outro desafio apontado foi o agravamento do défice externo, associado à redução das receitas de algumas exportações e ao aumento das importações ligadas aos grandes projectos de investimento nos sectores do gás natural e dos recursos minerais.
O Ministério da Economia e Finanças indicou que o memorando de entendimento deverá ser concluído nos próximos meses, altura em que uma nova missão do FMI regressará ao país para avaliar o progresso das reformas e definir os termos do eventual apoio financeiro.
A concretizar-se, o novo programa poderá contribuir para reforçar a estabilidade macroeconómica, restaurar a confiança dos investidores e apoiar a recuperação gradual da economia moçambicana.
Fonte: Mznews.