O Governo moçambicano reconhece que o acesso limitado ao financiamento continua a ser um dos principais entraves ao desenvolvimento do sector agrário, apesar do potencial produtivo do país.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas de Moçambique, apenas 0,6% dos agricultores conseguem aceder a crédito bancário formal, o que compromete a modernização da produção e a expansão das cadeias de valor agrícolas.
A informação foi partilhada durante o FORIN 2026, realizado em Lichinga, na província do Niassa, onde foi destacada a dificuldade persistente de financiamento como um dos principais bloqueios ao crescimento do sector.
De acordo com o Governo, as instituições financeiras continuam a classificar a agricultura como uma actividade de elevado risco, o que reduz a concessão de crédito, sobretudo aos pequenos produtores rurais. A fraca inclusão financeira nas zonas rurais agrava ainda mais o problema.
Para responder a este desafio, o MAAP apresentou várias linhas de financiamento e programas de apoio ao sector agrário, com enfoque em pequenos produtores, cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio.
Entre os instrumentos destacados está o Fundo de Estímulo Comercial e Produtivo (FECOP), avaliado em 13 milhões de dólares, que prevê créditos entre 25 mil e 500 mil dólares para PME e condições mais acessíveis para microempresas, incluindo juros bonificados e garantias do Estado.
Foi igualmente apresentado o Fundo de Segurança Alimentar (FSA), destinado a pequenos negócios agrícolas e instituições de microfinanças, com financiamentos até 2,5 milhões de meticais.
O Governo anunciou ainda o Programa de Relançamento do Sector Privado (PRSP), avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares, orientado para a recuperação económica e apoio aos sectores produtivos.
No domínio da inovação, destacam-se programas do Fundo Catalítico para Inovação e Desenvolvimento (FCID), incluindo iniciativas como o Conecta Negócios e o MozRural, com financiamento de parceiros internacionais e foco na inclusão económica.
Instituições como a GAPI SA também reforçaram linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas rurais, complementando a oferta de microcrédito já existente no sistema financeiro nacional.
Para 2026, o Governo aponta ainda programas estruturantes como o MozAgribus, financiado pelo Banco Mundial, e outros projectos apoiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento, com enfoque no aumento da produção, resiliência climática e fortalecimento das cadeias de valor.
O Ministério sublinha que o financiamento agrícola é um elemento central para transformar o sector num verdadeiro motor de desenvolvimento económico, defendendo maior coordenação entre Governo, banca e parceiros internacionais para reduzir riscos e ampliar o acesso ao crédito no meio rural.
Fonte: Ngani.
Imagem: ADPP Moçambique.