Moçambique quer acesso directo ao financiamento climático internacional

O Governo moçambicano defende a criação de mecanismos nacionais que permitam ao país aceder directamente ao financiamento climático internacional e aos mercados de carbono, reduzindo a dependência de intermediários nas negociações ligadas à transição verde e resiliência climática.

A posição foi defendida em Maputo pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante o Diálogo Político de Alto Nível sobre o Pacto Ecológico, que reuniu representantes do Governo e parceiros da União Europeia.

Segundo o governante, Moçambique pretende reforçar a capacidade técnica nacional para aproveitar melhor as oportunidades do financiamento climático, evitando elevados custos associados a intermediários.

O ministro revelou que surgem frequentemente propostas de intermediação com comissões consideradas excessivas, defendendo por isso maior autonomia do país na negociação destes mecanismos.

O Executivo pretende, assim, contar com apoio técnico internacional para estruturar o acesso aos mercados de carbono, garantindo maior transparência e retenção dos benefícios financeiros no país.

Roberto Albino destacou ainda o potencial de Moçambique na economia verde, devido aos seus recursos naturais e às oportunidades associadas às energias renováveis, sublinhando a necessidade de acelerar investimentos em água, energia e saneamento, sobretudo nas zonas rurais.

O governante referiu que as desigualdades no acesso a serviços básicos continuam a ser um dos principais desafios do desenvolvimento nacional, defendendo uma abordagem mais inclusiva e equilibrada entre zonas urbanas e rurais.

No mesmo contexto, apontou os impactos das mudanças climáticas no país, incluindo cheias recentes que afectaram várias províncias, exigindo mobilização de recursos significativos para resposta e recuperação.

Defendeu ainda uma maior integração das comunidades nas áreas de conservação nas cadeias de valor económicas, de modo a assegurar benefícios mais concretos e melhoria das condições de vida locais.

Segundo o ministro, o país está a actualizar instrumentos estratégicos ligados ao ambiente e ao sector agrário, alinhando-os com as dinâmicas globais de sustentabilidade.

O encontro terminou com um apelo à mobilização de investimento privado, com enfoque na economia azul, energia e desenvolvimento sustentável, numa lógica em que o financiamento internacional deve complementar, e não substituir, o investimento produtivo.

Fonte: aimnews.

Imagem: Ilustrativa | fibroterm.

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