Moçambique quer afirmar-se como potência da economia azul

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta quinta-feira, em Maputo, a necessidade de posicionar Moçambique como uma referência africana da economia azul, durante a abertura da 3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul.

O encontro reúne representantes governamentais, sector privado, parceiros de desenvolvimento, académicos e organizações da sociedade civil para debater o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos como motor de crescimento económico e inclusão social.

Com cerca de 2.700 quilómetros de costa e uma extensa Zona Económica Exclusiva no Oceano Índico, Moçambique é frequentemente apontado como um dos países com maior potencial marítimo em África. O Governo considera que este potencial ainda está subaproveitado e pode desempenhar um papel mais relevante no desenvolvimento nacional.

Durante a sua intervenção, Daniel Chapo sublinhou que a estratégia do Executivo passa pela construção de uma economia azul sustentável e inclusiva, capaz de gerar emprego, sobretudo para jovens e mulheres, ao mesmo tempo que assegura a protecção dos ecossistemas marinhos. O Chefe do Estado destacou ainda a importância da cooperação internacional e da mobilização de investimento para sectores ligados ao mar.

Daniel Francisco Chapo – Presidente da República de Moçambique

A aposta governamental inclui áreas como pesca, aquacultura, transportes marítimos, turismo costeiro, conservação da biodiversidade e exploração sustentável de recursos energéticos offshore. A estas oportunidades soma-se a importância dos principais corredores logísticos do país, através dos portos de Maputo, Beira e Nacala, bem como o potencial associado ao gás natural offshore.

Apesar do elevado potencial, persistem desafios estruturais significativos. A pesca ilegal, não declarada e não regulamentada continua a afectar os recursos marinhos e a segurança alimentar das comunidades costeiras. Paralelamente, as alterações climáticas, incluindo ciclones, erosão costeira e subida do nível do mar, têm impacto crescente sobre infra-estruturas e actividades económicas.

Moçambique tem também alinhado a sua estratégia com compromissos internacionais de conservação, incluindo o Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que prevê a expansão das áreas protegidas até 2030, defendendo uma abordagem que combine protecção ambiental e desenvolvimento económico.

Apesar do optimismo das autoridades, o sucesso da economia azul dependerá da capacidade de implementação de políticas públicas, do reforço da fiscalização marítima, da industrialização da pesca e da criação de cadeias de valor que permitam transformar os recursos do mar em ganhos económicos concretos para o país e para as comunidades costeiras.

Fonte: Revista.Tempo.

Imagem: economiaazul.pt | diarioeconomico.

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