Moçambique quer atrair mais investimento privado para saúde especializada

Governo apela à expansão de serviços e maior presença nas zonas rurais

As autoridades de saúde em Moçambique estão a intensificar o apelo ao sector privado para reforçar o investimento em serviços de saúde especializados e expandir a sua presença para além dos grandes centros urbanos, com especial enfoque nas zonas rurais.

A posição foi defendida por José Manuel, director nacional da Direcção de Planificação e Cooperação do Ministério da Saúde, que sublinhou a necessidade de um maior equilíbrio na oferta de cuidados de saúde no país.

Segundo o responsável, o sector privado já representa cerca de 25% da prestação de cuidados de saúde em Moçambique, mas ainda com forte concentração em serviços não especializados e em áreas urbanas.

“O sector privado está a juntar-se ao sistema para prover mais e melhores cuidados de saúde, mas está mais focado na componente não especializada”, afirmou.

Foco em serviços especializados ainda é limitado

O Ministério da Saúde defende agora uma mudança de paradigma, incentivando o investimento privado em áreas mais complexas e especializadas, numa altura em que o Estado ainda está a desenvolver capacidade para responder a essas necessidades.

José Manuel destacou que o objectivo passa por alargar a oferta de cuidados especializados, reduzindo a pressão sobre o sistema público e melhorando a qualidade global dos serviços.

Barreiras estruturais ainda condicionam o sector

Apesar do potencial, existem desafios que continuam a limitar a expansão do sector privado na saúde, nomeadamente:

  • dificuldades na integração e partilha de informação entre entidades;
  • necessidade de reforço do enquadramento regulatório;
  • concentração de infra-estruturas em zonas urbanas.

Estas limitações têm dificultado uma expansão mais equilibrada da oferta de serviços especializados pelo território nacional.

Saúde ainda concentrada nas cidades

O sector da saúde reconhece que a maior parte dos serviços especializados continua concentrada em áreas urbanas, deixando vastas regiões do país com acesso limitado a cuidados diferenciados.

O Ministério sublinha, no entanto, que a população moçambicana está distribuída por todo o território nacional, o que exige uma estratégia mais inclusiva e descentralizada.

Apelo ao investimento para um sistema mais equilibrado

O governo defende que a participação do sector privado será essencial para:

  • expandir a rede de serviços especializados;
  • reduzir desigualdades regionais no acesso à saúde;
  • complementar a capacidade do Estado;
  • melhorar a resposta do sistema nacional de saúde.

Num contexto de crescimento populacional e maior pressão sobre os serviços públicos, Moçambique procura agora um novo equilíbrio entre Estado e sector privado, com vista a construir um sistema de saúde mais robusto, moderno e acessível em todo o país.

Fonte: MOM

Imagem: Revista Comunidades.

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