Moçambique acolhe, nos dias 7 e 8 de Outubro, em Maputo, a II Conferência Nacional de Financiamento Climático, que reunirá Governo, parceiros de cooperação e desenvolvimento, instituições financeiras, sector privado e entidades ligadas aos principais mecanismos internacionais de financiamento climático.
Promovida pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento, através da Direcção Nacional de Financiamento Climático, a conferência terá como foco a mobilização de recursos, o acesso aos mecanismos internacionais e a transformação do financiamento climático em investimento, infra-estruturas resilientes e projectos bancáveis.
Entre os instrumentos em debate estarão as finanças verdes, obrigações sustentáveis, troca de dívida por clima e natureza, mercados de carbono e seguros climáticos. A agenda inclui igualmente a análise das condições necessárias para aumentar a participação do sector privado no financiamento da transição climática e desenvolver um mercado de finanças verdes em Moçambique.
A abertura oficial está prevista para 7 de Outubro e será dirigida pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, estando também previstas intervenções de parceiros de cooperação, incluindo representantes da Bélgica e do Reino Unido.
Um dos painéis será dedicado à mobilização de recursos e ao acesso ao financiamento climático internacional, com a participação de representantes ligados ao Green Climate Fund, Global Environment Facility e Fundo de Adaptação. A experiência do Rwanda Green Fund será igualmente apresentada como referência africana sobre modelos de mobilização e gestão de financiamento climático.
A conferência abordará ainda o desenvolvimento do mercado de finanças verdes, incluindo uma avaliação do nível de preparação de Moçambique para a emissão de obrigações sustentáveis. O debate envolverá o Banco de Moçambique, a Bolsa de Valores de Moçambique, a banca comercial, o sector segurador e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique.
Outro eixo da agenda será o desenvolvimento do mercado de carbono, com a apresentação do projecto de regulamento do mercado de carbono de Moçambique. Serão também discutidos mecanismos de troca de dívida por clima e natureza, destinados a criar espaço para investimentos associados à conservação, adaptação e resiliência climática.
O segundo dia será dedicado, entre outros temas, ao seguro climático como instrumento de gestão de risco e de protecção económica perante eventos climáticos. A discussão deverá envolver instituições de supervisão, seguradoras, organismos públicos e parceiros internacionais.
A conferência terminará com uma discussão sobre projectos bancáveis, orçamentação climática e impacto do financiamento, reunindo instituições públicas, Banco de Moçambique, Banco Mundial, IFC, Banco Africano de Desenvolvimento, GCF, GEF e sector privado. O objectivo é reforçar a capacidade de transformar recursos mobilizados em projectos executáveis, sustentáveis e com resultados económicos e sociais.
Num contexto de elevada exposição do País a ciclones, cheias, secas e outros eventos climáticos, a iniciativa procura aproximar recursos, instituições, instrumentos financeiros e projectos, reforçando a capacidade de Moçambique mobilizar e transformar financiamento climático em investimento e desenvolvimento resiliente.
Fonte: DiarioEconomico