Moçambique está a avançar com a Estratégia Nacional “Internet para Todos”, um instrumento que pretende acelerar a inclusão digital e garantir um acesso mais amplo, acessível e significativo à Internet em todo o País.
A proposta da estratégia está a ser apresentada e validada pelo Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), em parceria com o Governo, operadores de telecomunicações, sector privado, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento.
Segundo a presidente do Conselho de Administração do INCM, Helena Fernandes, a iniciativa não se limita ao aumento do número de pessoas conectadas, mas procura assegurar qualidade da conectividade, acessibilidade, competências digitais, segurança e utilização efectiva da Internet para melhorar a vida dos cidadãos.
Apesar da expansão das redes de telecomunicações nos últimos anos, persistem desafios relacionados com as diferenças entre zonas urbanas e rurais, os custos de acesso, a disponibilidade de infra-estruturas, a cobertura e qualidade dos serviços, bem como a falta de literacia e competências digitais.
Dados apresentados no âmbito da elaboração da estratégia indicam que apenas cerca de 20% da população moçambicana tem acesso à Internet. Outros dados apontam que somente 15% da população possui capacidade financeira para pagar regularmente serviços de Internet móvel, evidenciando a dimensão do desafio de transformar cobertura em conectividade efectiva.
A estratégia deverá funcionar como um roteiro nacional para alinhar os projectos já em curso e identificar novas intervenções necessárias para ampliar o acesso. Entre as prioridades estão o reforço das infra-estruturas e serviços de conectividade, a inclusão digital de mulheres, jovens, populações rurais e famílias de baixos rendimentos e o desenvolvimento de competências digitais.
A directora-executiva da Global Digital Inclusion Partnership, Sónia Jorge, organização parceira do Governo na elaboração da estratégia, destacou que a conectividade deve traduzir-se em oportunidades concretas nas áreas da educação, saúde, agricultura, negócios e acesso aos serviços públicos. Para isso, será necessário combinar acesso à Internet com equipamentos, competências e serviços adequados.
A proposta estabelece metas até 2030, incluindo o aumento da utilização da Internet, o reforço das competências digitais, a expansão dos pontos públicos de acesso e a melhoria da qualidade e acessibilidade dos serviços de conectividade.
A iniciativa enquadra-se nos esforços mais amplos do Governo para acelerar a transformação digital. O projecto “Internet para Todos”, lançado em 2025, prevê a expansão do acesso à Internet de banda larga em espaços públicos, incluindo praças digitais e escolas secundárias públicas, até 2030.
Com a validação da nova estratégia, Moçambique procura articular os diferentes intervenientes do ecossistema digital e transformar a expansão da conectividade numa ferramenta para promover inclusão social, desenvolvimento económico e novas oportunidades para cidadãos e empresas.
Fonte: Noticiaslusofonas