A maior unidade industrial de Moçambique, a Mozal, produziu 248 mil toneladas de alumínio nos nove meses que antecederam o seu encerramento, registando uma queda de 6% face ao período homólogo.
Os dados, divulgados pela South32, empresa que detém 63,7% da fundição, mostram também uma redução nas vendas, que recuaram 7%, passando de 246 mil para 229 mil toneladas até Março de 2026.
A paralisação da unidade, localizada nos arredores de Maputo, ocorreu a 15 de Março, com a entrada em regime de manutenção e conservação, na sequência de um impasse prolongado sobre o custo da energia.
Apesar do cenário de encerramento, a empresa conseguiu aumentar as vendas em 8% no último trimestre, impulsionadas pela comercialização de stock remanescente. A produção total, por sua vez, superou em 3% as previsões iniciais antes da suspensão.
No centro da decisão está o custo da electricidade, considerado inviável para a continuidade da operação. Segundo o director executivo da South32, Graham Kerr, não foi possível assegurar um fornecimento energético competitivo, apesar de anos de negociações com o Governo e com a Eskom.
A única proposta formal apresentada apontava para cerca de 100 dólares por megawatt-hora, um valor significativamente acima dos padrões internacionais do sector, onde a maioria das fundições opera com custos inferiores a 50 dólares por MWh.
O impacto económico e social é significativo. A Mozal empregava mais de mil trabalhadores directos e cerca de quatro mil indirectos, sendo um dos principais pilares da indústria transformadora nacional e das exportações.
A South32 prevê gastar cerca de 60 milhões de dólares com o processo de suspensão, incluindo indemnizações e rescisões contratuais, além de custos anuais de manutenção estimados em cinco milhões de dólares.
Apesar do encerramento, a empresa não exclui uma eventual reactivação da fundição, caso venham a ser garantidas condições energéticas mais competitivas.
Após 25 anos de operação, o encerramento da Mozal deixa um sinal claro: o futuro da industrialização em Moçambique dependerá, em grande medida, da capacidade de garantir energia acessível e sustentável para os grandes projectos industriais.
Fonte: Lusa.
Imagem: South32.