Mphanda Nkuwa antecipa benefícios locais e leva electricidade a comunidades antes do fecho financeiro

O Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa começa a materializar benefícios concretos para as comunidades da sua área de influência, mesmo antes de alcançar o fecho financeiro e de iniciar a produção de electricidade. Uma linha de média tensão com 46 quilómetros está a levar energia a comunidades dos distritos de Marara e Cahora Bassa, na província de Tete, com potencial para beneficiar pouco mais de cinco mil pessoas.

A electrificação de Nhambaliu, Chacocoma e Chirodzi-Nsanangué, no distrito de Marara, já foi concluída. Enquanto isso, prosseguem as obras em Nhantalala, Nhandoa e Calibote, no distrito de Cahora Bassa, cuja conclusão está prevista para finais de Agosto.

A intervenção resulta de um protocolo de cooperação entre o Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa (GMNK) e a Electricidade de Moçambique (EDM), no âmbito do Plano de Desenvolvimento Social do projecto. A iniciativa pretende expandir a Rede Eléctrica Nacional, aumentar o acesso à energia nas zonas rurais e reduzir as disparidades energéticas.

O movimento representa uma mudança importante na forma como os benefícios do projecto estão a ser entregues às comunidades. Em vez de esperar pela construção e entrada em funcionamento da central hidroeléctrica, parte das intervenções sociais está a ser antecipada, permitindo que algumas comunidades tenham acesso à electricidade enquanto o projecto continua a avançar na sua estruturação.

A estratégia não ficará limitada às comunidades alcançadas pela rede convencional. Para as zonas dos três distritos que não serão abrangidas pela linha de média tensão, está em curso a aquisição de kits solares, combinando soluções ligadas à rede nacional com alternativas off-grid.

A aposta na electrificação ocorre num contexto de expansão acelerada do acesso à electricidade em Moçambique. Dados divulgados pela EDM indicam que a taxa de acesso doméstico aumentou de 36,8% em 2020 para 61,4% em 2025. O Banco Mundial também indica que o acesso nacional praticamente duplicou entre 2018 e 2024, passando de 31% para cerca de 60%.

Embora as comunidades abrangidas pela linha representem uma parcela relativamente pequena perante o défice nacional de acesso à energia, a intervenção ganha maior relevância por estar integrada num dos maiores projectos de infra-estruturas energéticas em preparação no país.

O Mphanda Nkuwa prevê uma central hidroeléctrica com capacidade de 1.500 MW, associada a uma linha de transporte de energia de aproximadamente 1.300 quilómetros entre Tete e Maputo. O custo estimado do projecto situa-se entre 4,5 e 5 mil milhões de dólares, segundo o Gabinete de Implementação do Projecto.

Além da electrificação, o Plano de Desenvolvimento Social contempla outras áreas de intervenção, incluindo formação profissional, saúde, agricultura e educação, procurando fazer com que o desenvolvimento do projecto produza benefícios locais antes da entrada em operação da central.

A antecipação destes benefícios coloca o projecto numa perspectiva mais ampla do que a simples construção de uma central de produção de energia. A intenção é criar condições para que as comunidades localizadas na área de influência possam começar a beneficiar de melhores serviços e oportunidades enquanto avançam os trabalhos técnicos, ambientais, comerciais e financeiros necessários para a concretização do investimento.

O projecto encontra-se actualmente numa fase de estruturação financeira e de conclusão dos requisitos técnicos, ambientais e comerciais necessários para alcançar o fecho financeiro. Quando concretizado, Mphanda Nkuwa deverá acrescentar uma capacidade significativa ao sistema eléctrico nacional e reforçar a disponibilidade de energia para o desenvolvimento económico.

Para as comunidades de Tete, contudo, alguns dos benefícios já começam a ser sentidos. A electrificação de seis comunidades, através da expansão da rede e de soluções solares, transforma uma componente do plano social de Mphanda Nkuwa numa realidade antes mesmo de a primeira turbina começar a produzir energia.

Fonte: O.ECONÓMICO

Partilhar:

Notícias Relacionadas

Buscar no Site