Moçambique prepara-se para dar um salto na distribuição de gás natural. Uma nova infra-estrutura avaliada em cerca de 250 milhões de dólares será construída no Porto da Beira, em Sofala, com ligação a Inhassoro, em Inhambane, criando condições para que o gás natural da Bacia do Rovuma chegue a diferentes pontos do território nacional.
O projecto prevê a construção de uma unidade de armazenamento e importação de gás natural, complementada por um sistema de gasodutos que permitirá a ligação à rede existente em Temane. A infra-estrutura terá capacidade para receber cerca de quatro milhões de toneladas de gás natural por ano e será estruturada para uma capacidade de armazenamento de 174 mil metros cúbicos.
A conclusão está prevista para 2030 e o projecto deverá desempenhar um papel estratégico no reforço da segurança energética nacional, no abastecimento de grandes consumidores e na criação de condições para o desenvolvimento de novos projectos industriais.
A infra-estrutura poderá ainda reforçar o impacto dos grandes investimentos de gás em curso no país, incluindo o Coral Norte, actualmente em fase de concepção, permitindo criar uma ligação mais eficiente entre as zonas de produção, os centros de consumo e os mercados regionais.
O contrato de concessão foi celebrado na Ponta do Ouro, distrito de Matutuíne, pelo ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, e pelo presidente da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Rudêncio Morais, no âmbito do XI Conselho Coordenador do MIREME.
Embora o contrato tenha sido aprovado em Dezembro de 2025, a assinatura marca o início da fase de implementação do projecto, que será executado de forma faseada.
A primeira etapa será dedicada à conclusão do estudo de impacto ambiental e à estruturação do estudo de viabilidade, ambos com duração prevista de cerca de 12 meses. Posteriormente, será elaborado o plano de desenvolvimento, que deverá ser submetido à aprovação do Governo.
Com o plano aprovado, avançarão as fases de engenharia, aquisição de equipamentos e construção, num período estimado de até dois anos. Segundo a ENH, a expectativa é que a infra-estrutura esteja concluída dentro de dois a três anos após a conclusão das etapas preparatórias.
Já existe um financiamento de 10 milhões de dólares disponível para suportar a primeira fase do projecto, permitindo avançar com os estudos necessários para a sua concretização.
Enquanto este projecto avança, o Governo continua a avaliar as alterações aos planos de desenvolvimento do Rovuma LNG, na Área 4, e do Mozambique LNG, na Área 1, além da auditoria aos custos do projecto Mozambique LNG incorridos durante o período de força maior.
Juntamente com o Coral Sul FLNG e o futuro Coral Norte FLNG, os projectos Rovuma LNG e Mozambique LNG formam a base da estratégia de desenvolvimento do sector de hidrocarbonetos de Moçambique.
Se concretizada conforme previsto, a nova rede poderá representar mais do que uma infra-estrutura de transporte: será uma ponte entre o gás produzido no norte do país e a indústria, os projectos energéticos e os consumidores de todo Moçambique, transformando o potencial da Bacia do Rovuma em energia para o desenvolvimento nacional.
Fonte: Jornal Notícias.