Parque Industrial de Topuito abre caminho para mais de 10 mil empregos e integração de PME na cadeia da Kenmare

Nampula prepara-se para dar um novo impulso à industrialização local. O Governo lançou a construção do Parque Industrial de Topuito, no distrito de Larde, uma infra-estrutura avaliada em 600 milhões de meticais que pretende aproximar as pequenas e médias empresas das oportunidades geradas pela actividade mineira da Kenmare e de outros grandes investimentos na região.

O lançamento da primeira pedra marca o início de uma obra com duração prevista de um ano e que poderá, quando estiver plenamente operacional, gerar mais de 10 mil empregos directos e indirectos. A iniciativa é liderada pelo projecto Conecta Negócios, com apoio do Banco Mundial, e implementada pela MozParks em coordenação com a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

O parque terá uma área total de 215 hectares, dos quais 10 hectares serão destinados à Vila das PME. Mais de 50 empresas poderão instalar-se neste espaço, criando uma plataforma para que negócios locais passem a fornecer bens e serviços aos grandes projectos que operam na região.

A proposta vai além da simples disponibilização de espaço empresarial. A Vila das PME contará com armazéns, oficinas, centro de formação, instalações de frio e espaços residenciais, permitindo atacar alguns dos principais obstáculos que ainda limitam a participação das empresas nacionais nas grandes cadeias de fornecimento: capacidade técnica, qualidade, logística e acesso a mercados.

A Kenmare poderá assumir inicialmente o papel de empresa-âncora do parque. A proximidade dos fornecedores deverá reduzir tempos de espera e custos de abastecimento, ao mesmo tempo que permitirá às empresas instaladas desenvolverem capacidades para responder aos requisitos técnicos da indústria mineira. Em 2025, a multinacional gastou mais de 70 milhões de dólares em serviços contratados.

Para a MozParks, contudo, a ambição é maior. O objectivo é utilizar a Kenmare como ponto de partida para diversificar a economia de Larde e atrair empresas de outros sectores, incluindo agro-processamento, processamento de pescado, engenharia, metalomecânica e fabrico de peças.

A nova Lei de Minas poderá ampliar ainda mais estas oportunidades, ao prever que até 20% dos minerais extraídos sejam processados localmente. Isso abre espaço para que, no futuro, o próprio parque possa acolher actividades de transformação mineral, aumentando o valor acrescentado gerado na região.

Outro componente estratégico será a formação profissional. O centro de formação deverá preparar jovens locais para responder às necessidades técnicas da indústria, enquanto as instalações de frio poderão ligar produtores agrícolas e pescadores às empresas que fornecem alimentos à Kenmare e a outros consumidores.

Com o Parque Industrial de Topuito, a aposta passa a ser clara: transformar a presença de grandes investimentos numa plataforma de oportunidades para empresas e trabalhadores locais. O desafio será fazer com que a riqueza mineral de Larde deixe de representar apenas extracção e exportação e passe a gerar uma cadeia mais ampla de empresas, competências, emprego e valor dentro da própria região.

Fonte: Club of Mozambique

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