Uma PME pode conquistar um contrato com uma grande empresa e, ainda assim, não conseguir executá-lo. O motivo é simples: ter uma oportunidade não significa ter acesso ao financiamento necessário para a transformar em negócio.
Hoje, o Bureau de Conteúdo Local (BCL) da CTA, representado por Katya Coelho, Gestora do BCL, participou no Business Breakfast de Diálogo Multissectorial, organizado pelo Ministério da Economia e pelo PNUD, dedicado ao tema ‘Acesso ao Financiamento’.
Na mesa moderada por Katya Coelho, que reuniu representantes de entidades governamentais, sector privado, instituições financeiras e grandes operadoras, ficou evidente que o principal desafio das PMEs não é apenas obter crédito, mas criar condições para que bancos e investidores confiem na sua capacidade de executar contratos.

Em Moçambique, muitas PMEs enfrentam juros elevados, processos bancários complexos, falta de garantias e reduzido histórico financeiro. Por outro lado, as instituições financeiras continuam a enfrentar dificuldades para validar rapidamente a autenticidade dos contratos e a credibilidade dos fornecedores.
Entre as soluções debatidas destacou-se a criação de um sistema nacional de validação de fornecedores e contratos, que complemente a Central de Risco do Banco de Moçambique. Enquanto a Central de Risco avalia o comportamento financeiro das empresas, este novo mecanismo permitiria confirmar a legitimidade dos contratos e a credibilidade operacional dos fornecedores.

Foram igualmente discutidos instrumentos como factoring, supply chain finance, blended finance e fundos de garantia, capazes de facilitar o acesso ao financiamento e reduzir o risco para todas as partes.
Contudo, financiamento, por si só, não basta. As PMEs precisam de boa governação, contabilidade organizada, capacidade técnica e acompanhamento para responder às exigências dos grandes projetos.
A mensagem foi clara: fortalecer o Conteúdo Local exige mais do que disponibilizar capital. Exige confiança, articulação entre os diferentes intervenientes e um ecossistema que permita transformar contratos em empresas mais competitivas, mais emprego e maior valor acrescentado para a economia moçambicana.