Terras raras podem posicionar Moçambique como actor estratégico na indústria global de minerais críticos

Moçambique poderá afirmar-se como um dos principais produtores africanos de terras raras e minerais críticos, desde que continue a criar condições favoráveis ao investimento, à pesquisa mineral e à valorização local dos recursos. A perspectiva foi apresentada por Cedric Simonet, CEO da Altona Rare Earths, empresa que desenvolve o projecto Monte Muambe, na província de Tete.

O projecto, considerado uma das iniciativas mais promissoras no sector dos minerais críticos em Moçambique, encontra-se em fase avançada de estudos e poderá posicionar o país como um actor relevante no mercado global de terras raras, impulsionado pela crescente procura destes minerais essenciais para tecnologias ligadas à transição energética, mobilidade eléctrica e energias renováveis.

Segundo a Altona, o desenvolvimento de Monte Muambe já beneficiou de investimentos significativos em prospecção e recebeu recentemente apoio financeiro dos Estados Unidos para actividades relacionadas com tecnologia e engenharia de separação de terras raras. O projecto poderá exigir investimentos superiores a 200 milhões de dólares quando avançar para a fase de produção.

Valorização local e desenvolvimento industrial

A empresa defende que uma parte significativa da cadeia de valor poderá ser desenvolvida em Moçambique, incluindo actividades de extracção, concentração mineral e processamento hidrometalúrgico para produção de carbonato misto de terras raras.

De acordo com Cedric Simonet, a valorização local dos recursos permitirá ampliar os benefícios económicos para o país, contribuindo para o desenvolvimento industrial, criação de emprego qualificado e fortalecimento das cadeias de fornecimento associadas ao sector mineiro.

Potencial geológico ainda pouco explorado

O responsável considera que Moçambique já desempenha um papel importante na produção de minerais críticos, destacando o grafite de Balama, mas acredita que o potencial geológico nacional permanece largamente subaproveitado.

Além de Monte Muambe, existem outras ocorrências geológicas com potencial para terras raras e minerais estratégicos, cuja exploração dependerá da continuação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento mineral.

Desafios administrativos continuam a ser um obstáculo

Apesar de reconhecer a existência de um enquadramento legal adequado para a indústria mineira, a Altona defende que a simplificação dos procedimentos administrativos poderá acelerar o desenvolvimento dos projectos.

Entre os desafios apontados estão os processos burocráticos associados a licenças, autorizações e certificações, que podem aumentar os custos e prolongar os prazos de implementação dos investimentos.

Cooperação regional pode reforçar competitividade africana

O CEO da Altona considera ainda que o futuro dos minerais críticos em África dependerá da cooperação regional entre países produtores, permitindo desenvolver cadeias de valor integradas e aumentar a competitividade do continente nos mercados internacionais.

Segundo a empresa, a combinação entre recursos minerais abundantes, modernização administrativa e integração regional poderá transformar Moçambique num dos principais centros africanos de produção e processamento de minerais críticos nas próximas décadas.

Fonte: Diario Económico.

Imagem: Ilustrativa | Revista Minerios.

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