Moçambique está a recuperar a dinâmica no sector do gás natural liquefeito (GNL), com quatro grandes projectos a avançarem em diferentes fases e um potencial de investimento de até 45 mil milhões de dólares entre 2026 e 2033, segundo uma análise da Wood Mackenzie.
A consultora considera que, caso o projecto Rovuma LNG alcance a Decisão Final de Investimento (FID) no início de 2027, os quatro projectos actualmente em desenvolvimento poderão atingir uma capacidade combinada de 38 milhões de toneladas por ano (mtpa) até 2032. Este volume permitiria a Moçambique ultrapassar a Nigéria como maior exportador de GNL de África.
A recuperação do sector ocorre cinco anos depois de a insegurança em Cabo Delgado ter levado à suspensão das obras do projecto Mozambique LNG, operado pela TotalEnergies. Actualmente, o Coral Sul produz à sua capacidade de 3,4 mtpa, o Coral Norte já foi aprovado, as obras do Mozambique LNG foram retomadas e o Rovuma LNG aproxima-se da sua FID.
De acordo com a Wood Mackenzie, os projectos das Áreas 1 e 4 foram sustentados por recursos estimados em cerca de 125 biliões de pés cúbicos de gás. O Coral Sul atingiu a capacidade de produção em 2023, enquanto o Coral Norte, uma expansão do projecto da Área 4, tem como meta iniciar a produção de GNL em 2028.
No caso do Mozambique LNG, com capacidade prevista de 13,1 mtpa, as obras foram retomadas em Janeiro de 2026, depois de cerca de quatro anos e meio de força maior. O projecto encontra-se cerca de 45% concluído e a TotalEnergies aponta para o início da produção em 2029. Já o Rovuma LNG, da ExxonMobil, foi redesenhado durante o período de suspensão, passando de dois grandes comboios de liquefacção para 12 unidades menores, com capacidade prevista de 18,6 mtpa. A FID está prevista para o final de 2026, com um custo estimado em cerca de 27 mil milhões de dólares.
A consultora estima que os investimentos possam atingir cerca de 45 mil milhões de dólares entre 2026 e 2033 para concluir o Coral Norte e os dois grandes projectos em terra. A estes investimentos poderá seguir-se uma nova vaga de desenvolvimento, considerando que cerca de 75 biliões de pés cúbicos de gás permanecem ainda por comercializar nas Áreas 1 e 4.
Esses recursos poderão sustentar uma segunda fase do Mozambique LNG, uma terceira unidade FLNG na Área 4 e, potencialmente, um desenvolvimento conjunto de recursos existentes entre os dois blocos. No cenário projectado pela Wood Mackenzie, estes novos projectos poderiam acrescentar entre 30 e 35 mtpa de capacidade e elevar a produção nacional para mais de 70 mtpa até 2040.
Apesar das perspectivas, a consultora alerta para riscos de execução. A situação de segurança em Cabo Delgado continua incerta, enquanto permanecem pendentes aprovações governamentais relacionadas com o orçamento revisto do Mozambique LNG e o plano de desenvolvimento alterado do Rovuma LNG. A recente alteração da Lei do Petróleo também poderá introduzir novas incertezas relacionadas com obrigações de gás doméstico e preços.
A Wood Mackenzie estima ainda que as despesas de capital poderão ultrapassar 75 mil milhões de dólares caso o Rovuma LNG e os projectos subsequentes avancem, dos quais cerca de 50 mil milhões poderão depender de financiamento externo. A análise destaca que mais de 100 mtpa de nova capacidade global de GNL deverá entrar no mercado até 2030, tornando o calendário de execução determinante para os projectos moçambicanos.
Fonte: woodmac
Imagem: gcaptian